Oração do siganet

siga nosso que estás nos servers,
criptografado seja o vosso nome
venha nos a vossa RPC
seja feita o vosso multicast
assim nos thin quanto nos servers
o stream nosso de cada vídeo, nos dai hoje
perdoai os nossos bugs,
assim como nós perdoamos as confs incompreendidas
não nos deixeis cair a conexão
mas livrai-nos dos malware,
amém

Publicado em: on 29 dUTC Maio dUTC 2009 at 1:36 pm Comentários (4)

Como quem quer amor

Fecho as portas e me tranco num quarto escuro
olho os outros e vejo pessoas cinzas
mas quando me lembro desse seu sorriso puro
eu me sinto como não me senti ainda

escrevo sobre tudo que sinto
e hoje eu admito
que penso que eu minto
quando digo que isso é normal

apanho os cacos que existo
e faço um labirinto
remonto aquele dia
onde você era minha

Corro e abro os braços largos pro futuro
E acredito que os dias serão belos
Entendo que o passado cobra o montante em juros
Mas te ver aqui por hoje foi um momento eterno

e vejo que o que sinto é muito,
estranho e impuro,
pois eu não compreendo
mas quero-te mais, como quem quer amor

Marcelo Aires Caetano

25 de Maio de 2009

Publicado em: on 25 dUTC Maio dUTC 2009 at 11:44 pm Comentários (3)

A Hóspede

– Ainda lendo este jornal? desista, cara, você não vai conseguir um emprego!
– Que isso, Ana? Nem você acredita mais em mim?
– Não é isso, meu amor, é que você está fazendo tudo errado! Assaltante não encontra emprego em jornal, por que você não vai à favela? Talvez você consiga um parceiro.
– Parceiro? Mas eu não sou gay! Tá, eu já tive minhas experiências, mas isso não quer dizer que eu seja gay, quer?
– Bem, aí não sei, eu também não sou psicóloga, mas Amor, você deveria mudar de profissão, dizem que malabares no semáforo dá um bom dinheiro, além de ser um emprego seguro.
– Seguro?!?
– Sim, e obrigatório, ainda por cima. Suponhamos que você seja atropelado por um carro, você ganha uma boa nota, sabia?
– Olha, Ana, agora que eu não to mais entendendo nada, viu? Você quer que eu faça malabares ou que eu toque flauta harmônica?
– Bem, deixa pra lá, acho melhor voltar ao que eu estava fazendo…
– O quê você estava fazendo?
– Sabe que eu não lembro? Tinha alguma coisa a ver com te ver lendo o jornal, e ficar reclamando…
– Interessante, eu posso fazer também?
– Hmmmm, acho que pode…
Alguns minutos depois…
– Ana, eu acho que tem algo errado nisso tudo..
– Eu também acho, não dá pra te ver ler o jornal e ficar reclamando se você não está lendo o jornal.
– Bem, mas veja pelo lado bom, estamos ambos reclamando…
– É, isso é bem verdade, a gente podia revesar também, né? Eu leio o jornal e você reclama e vice-versa.
– Ahh não! eu prefiro muito mais reclamar junto com você, lembra quando reclamamos pela primeira vez?
– É, lembro sim, estávamos reclamando que além da condução alternativa demorar muito a passar, a gente ainda tinha que pagar passagem, é o cúmulo, não acha?
– É, com o tanto de imposto que pagam nesse país, a gente teria que ter tudo de graça, não só a bolsa família que o governo federal nos dá.
– Amor, eu acho que você reclama muito!
– Ana, você só vive reclamando das minhas reclamações ultimamente, o que está havendo de errado? Você encontrou outra pessoa, não foi?
– Olha, pra falar a verdade sim, mas não sei se o nome dela era “outra”, acho que tava mais para Alguém.
– Ohh! E como você sabe que o nome dele ou dela era alguém?
– Bem, você sabe quando você tem a sensação de que tem alguém te seguindo?
– Imagino…
– Pois é, é bastante esquisito mesmo.
– Ana, Alguém estava te seguindo?
– Nãããooooooooooo, Alguém jamais faria isso…
– Então por quê tocou no assunto de alguém seguir e essas coisas?
– Sabe que eu não sei? É que todo mundo fala isso, eu sempre tive vontade de falar também pra saber como é ficar falando mal da vida alheia, mas como nunca tive oportunidade… Bem, achei que seria conveniente tocar no assunto.
– E esse assunto? posso saber quantos anos ele tem?
– Bem, hoje eu não sei, na época em que eu trabalhava na casa da mãe dele, ele era bem novinho, coisa de 19 anos.
– E hoje?
– Hoje? você quer sair? Que bom, eu tava mesmo precisando comprar umas roupas novas.
– Perfeito, chame o motorista!
– Amor… Não temos motorista…
– Então ferrou, eu não sei dirigir..
– Relaxa, Alguém deve saber..
– Amor, quando é que a Loucura vai embora, hein?
– Sabe que eu não sei? Ela é muito folgada! Já chegou dizendo que ia ficar, trouxe as malas, parece que veio fazer tratamento pra pele…
– Tia doida, essa a sua, não?
– é.

Publicado em: on 22 dUTC Maio dUTC 2009 at 8:49 am Comentários (3)
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Morena

Olhe para mim,
estou no corredor
correndo contra o tempo,
em busca de nós dois.

Depois de tudo,
contudo, ainda me faço
em metade, os teus pedaços
que amanhã eu planejei

Morena, o dia vem.
Vem Morena, como ninguém,
vê e olha, como é bonito o que se tem

Temo pelos dias,
mas temos muitos dias,
os dias que se veem

Pelo andar da carruagem,
me parece que é tarde,
o por-do-sol a anunciar
outro dia que cessou

eu tive medo em seu olhar,
palavras roucas pra dizer
que nem mesmo o amanhecer
de ti me afastou

Os acordes que hoje faço,
faço de acordo com o que sinto
poderia lhe presentear com um lá
ou uma música tocar

tenho tanto a lhe dizer…

Publicado em: on 20 dUTC Maio dUTC 2009 at 4:40 pm Comentários (6)

Linha 376

Linha 376

Olha a cocada, vai levar?
são 3 reais a passagem,
melhor esperar a catraca liberar…

o carlos tá diferente,
sempre diz não ter mais tempo…
aí o feijão cresceu e virou uma feijoada
engraçado né?

dá uma carona em duas paradas?…
já eu me aposentei e visito os parentes…
pode falar, por quê tarda?
liguei pela saudade

e o fim de semana?
algo em mente?
talvez a gente…

MOTORISTA, pare o ônibus,
eu quero descer.

eles falavam, falavam
paravam, eu acho que mudavam
sem perceber eu tava escreven…

moço, acorde,
você capotou, total
pegue sua bolsa,
já chegamos ao ponto final

Marcelo Aires Caetano
08 de maio de 2009

Publicado em: on 8 dUTC Maio dUTC 2009 at 10:13 pm Comentários (4)

A Conversão

– Qualé, cara? Tu tá diferente, não anda mais com a gente, não participa mais das operações nem nos pontos flutua mais. — Diz 2.
– Bem, é que minha vida mudou, sabe? To andando com gente nova… — diz “3″.
– Como isso? — pergunta 2.
– Bem, eu me converti…
– Ahhh!!! vai dizer que virou crente?
– Não, string.

Publicado em: on 3 dUTC Maio dUTC 2009 at 8:53 pm Comentários (4)

Seresta para a vida

há quanto tempo não escrevo estas linhas tortas
nem me lembro quanto tempo faz,
só lembro que a vida tem algo a ver,
o abrir e fechar das portas

é tanta coisa que eu nem consigo contar
são tantos dias; demais para lembrar
no fim das contas sempre volto a esse banquinho

com este velho caderno sujo com o meu eu
e este lápis velho e gasto pelo tempo

o tempo parece ser meu amigo,
ao contrário da vida
que sempre me leva de volta de onde eu saí
por mais que eu corra,
fico com raiva,
quero mais que a vida morra

um frio que às vezes faz sentir vivo,
palavras que à priori são para o bem
muitas vezes… em um desvio,
me esquivo, mas é inútil

inútil é pensar no novo,
o diferente sempre vem com tintas velhas
aquele tom de azul não me é estranho

Sentimentos não são como o escambo,
espelhos em troca de madeira,
o melhor de si em troca de alguns minutos
às vezes paro e escuto

é o som dos dias que vem em cavalgada
sempre anunciando o novo com sua roupagem antiga
e por mais rápido, a vida passa lentamente
passo a passo, passo de formiga

olhar pra trás não é tão difícil quando o atrás está logo à sua direita
três quarteirões, e siga a vida toda
é o que eles dizem
no peito arde aquela velha suspeita:

a felicidade visitou o passado?
se veio, tomou um chá e foi cuidar de sua vida
tenho estado muito solitário, ele diz
nem mesmo o passado, às vezes, consegue ser feliz

e esses versos borrados em lágrimas
é tudo que eu tenho
é tudo que eu sou
acho que falei muito,
portanto me vou.

Marcelo Aires Caetano
17 de abril de 2009

Publicado em: on 17 dUTC Abril dUTC 2009 at 12:43 am Comentários (6)

Ensaio sob o luar ou Poesia de dois títulos

Néscios são esses dias
Sem razão e súplica,
sem cajado e destino,
sem amor, o grande amor.

Ainda ontem pensei ser diferente,
em passos outros,
diferentes esses dos que andei.

Mas de que adianta esta fortaleza?
se tenho muros impenetráveis
e exércitos em milhares?
mas uma palavra os deixa em escombros

Parece até a astúcia da tristeza,
aquela que sempre vem me fazer companhia
quando a solidão não mais me quer
e nem seus beijos posso ter.

Tenho andado muito atarefado ultimamente,
esqueci de parar para ver o céu
esqueci de sorrir sem me alcoolizar
mas esqueci de em ti pensar

É, meu amigo tempo,
há quanto tempo não nos vemos?
você viajou com os dias,
levando consigo os dias em que fui feliz

Só me resta a lua,
esta parece estar afim,
Pois todas as noites vem a mim,
em fases, em partes,
cheia e minguante,
muitas vezes nova,
de novo

acho que estou ficando apaixonado
talvez apenas olhasse o lado errado
ou lia o livro errado
ou talvez só não estivesse acordado

quem sabe é melhor dormir,
nos sonhos eu acordo melhor
sem saber se durmo ou se compreendo
estes enredos em que falo

falo em passo triste
falo em fim de festa
falo em adeus
falo em muito obrigado

obrigado por te conhecer.

04/03/09

Marcelo Aires Caetano

Publicado em: on 4 dUTC Março dUTC 2009 at 11:50 pm Comentários (3)

Um baile de máscaras

Não é uma poesia pra você,
apesar do quanto eu quis,
como se em um dia várias fiz,
mas hoje eu quero escrever

É cedo demais, acho que vou,
talvez um pouco mais…

Não, é melhor não!
minha sanidade pede passagem,
minha santidade pede lugar,
e o meu eu quer ficar.

Mas queria viajar
pra algum lugar onde só tivesse eu,
onde eu pudesse me encontrar,
uma música tocar…

Aí lembro teu olho brilhar,
quem será que está aí?
seja lá quem for,
é melhor que acorde!

Ao menos quando toco um acorde,
ou que a gente acorde
um dia se encontrar.

Sem lá, sem cá,
apenas um olhar,
quem sabe transformar este baile de máscaras
numa seresta ao luar.

é, acho que te vi,
ao menos de relance,
vc deixou a máscara cair…
e quer saber?

Acho que gosto mais assim.

03/03/09

Marcelo Aires Caetano

Publicado em: on at 11:47 pm Comentários (1)

O Segredo

Atento, Freitas diz a Ramalho:
– Meu amigo, eu preciso te confessar uma coisa, mas preciso que você tome isto como um segredo, apenas entre nós dois.

– Tudo bem, Freitas, nada poderia ser tão absurdo a ponto de abalar nossa amizade, pode contar comigo e contar-me o que houve.

– Tudo bem então, Ramalho, é o seguinte, ontem, eu, bem… ontem, eu estava…. oras! ontem eu estava com sede, dirigí-me à cozinha e tomei 3 copos de leite! Pronto! falei! — diz Freitas, tremendo.

– Leite? Cara! Você sabia que isso contem lactose? Isso é gordura pura! aliás! gordura e suor… Meu amigo! isso é nojento! como você teve coragem? vai me dizer que agora está viciado como esses bebês que passam o dia mamando no peito? — Vê lá, hein? podem te comparar com algum servidor público que passa o dia mamando nas tetas do estado! Seu bê-bê-do!

– Isso jamais! foi um deslize, eu sei! mas, poxa! foi apenas um pouco de leite, o que há demais nisso? eu acho que todos deveriam beber quanto leite tivessem vontade! oras!

– Freitas, me confesse como um amigo que você é. Você tem ingerido café?

– Cara, tenho sim.

– Com cafeína?

– Claro! quem beberia café sem cafeína?

– Minha mãe, cara.

– Sua mãe é uma iludida, é da época do antigo império, aposto que ela ainda pegou o dólar como padrão.

– Dólar? o quê é isso?

– Uma moeda que era padrão antigamente…

– Lembrei! acho que estudei sobre na escola sobre a idade contemporânea… mas não exagere, cara!

– Se te pegam você pode ser condenado a assistir televisão por duas semanas cara! imagine só, Todos aqueles comerciais! ninguém merece isso! — Diz Ramalho.

– Como me pegariam? a não ser que você me denuncie, estou são e salvo! eu tenho uma fazenda de café transgênico onde a gente reinseriu a cafeína ao café por meio de seleção manual. pra ELES, só tem café descafeínado lá.

– Tudo bem, eu não contarei, mas você tem que me prometer que não mecherá mais com essas coisas! imagine só? eu, andando com um lactólatra?

– Cara, pense bem! Nunca fiz amigos bebendo suco de limão!

– Isso não é desculpa! Como pode ter gente assim em pleno século XXII?

– Isso digo eu! como você tem a mente fechada! por quê alguém diz que leite é ruim, você acredita! Isso é um absurdo. Veja, vou te contar uma história, ok?

– Ok.

– Vamos lá, Faziam Três anos que o pai Barnabé não pescava um grande tucunaré no rio almofadas…

– Rio almofadas? aquele que secou?

– Isso, a história é velha.

– Tá…

– Continuando, o pai Barnabé não pescava um grande tucunaré no rio almofadas há uns anos, então ele parou pra pensar: e se não for isso a vontade dos deuses? e se os deuses estiverem muito ocupados contando histórias para seus cristos dormirem? Tá, nem todo dia é Natal, tem dias que é Belém, ainda outros que é Recife, mas a maioria deve ser uma grande capital, tirando o rio que é Janeiro o mês inteiro e não apenas por 1 ou 2 dias, enfim. acho que me embolei, mas vamos continuar a história, talvez não precisemos ficar pescando tucunarés pra deixa-los apodrecerem em homenagem a cinco ou seis deuses.
Bem, quem sabe um exército de formigas, mas não! Eu nunca levei jeito pra deus não, talvez pra são Cristóvão, é, eu seria um bom são Cristóvão….

– São Cristóvão não é aquele católico que um dia saiu para…

– Isso! esse mesmo! não me interrompa, ok? Concluíndo, e todos viveram felizes para sempre.

– Como assim? e o que houve com o rio almofadas?

– Não, eu contei a história sobre pai Barnabé.

– Entendi! mas.. oque isso tem a ver com tomar não ou leite?

– Bem, ao que eu saiba nada, mas eu acho que a história é muito bonita, resolvi te contar.

– Vem cá, Freitas, leite é bom assim?

– Se é? Leite é uma coisa que te deixa muito feliz, cara! quando é misturado com cacau então? nossa!

– E por quê é proibido?

– Me responda você, por quê amanhã é véspera natal?

– Bem, eu não sei. deve ser por causa de uma dessas histórinhas de deuses aí.

– Isso! Vai entender as mulheres! Normalmente todo mundo faz coisas que nem sabem o porquê, meu avô dizia que isso se chama convívio social, parece que vicia…

– É!

– Mas desde que proibiram a conversa entre pessoas da mesma idade, nós passamos a ser homens livres!

– Vem cá? E por quê estamos conversando?

– Não sei. Melhor começarmos a ler do começo de novo.

– Ok. Fim.

Marcelo Aires Caetano 22/12/2008

Post promocional à Giselle, para desejar-lhe um feliz aniversário.
Comprem Giselle, só ela é mais macia que as outras e dura mais!

Publicado em: on 22 dUTC Dezembro dUTC 2008 at 5:51 pm Comentários (3)