P’ra não esquecer

Prestes a me perder,
me presto ao senso de ser,
pendendo em ter ou perder,
pensando se vale a pena.

Esqueci-me de viver,
que às vezes é preciso ver,
nem sempre, assim, esquecer
que a vida se segue plena

É simples, o jogo do ter,
mas tem que saber jogar
as regras vem ao nascer
só a vida pra ensinar…

E o tempo girando em voltas,
se voltas a me dizer,
se volto a te querer,
não sei se volto a saber.

Pois se ontem ainda era jovem,
no alcool fui me esquecer,
deixando a paz de lado,
procrastinando em viver

querendo o meu pedaço,
perdido, feito em pedaços,
que esqueci em você.

Ahh! quanto tempo faz?
se o tempo é mera ilusão de quem o observa,
se quem o passado venera,
se esquece do amanhã.

Hoje é dia de lembrar,
que hoje será passado,
em breve, os ciclos se fecham,
e jamais poderão voltar.

Bom mesmo é a certeza,
que é de surpresa em surpresa
os frutos que a vida dá.

Marcelo Aires Caetano 27/12/11

Published in: on 27 \27UTC dezembro \27UTC 2011 at 6:36 am  Deixe um comentário  

O Ritual

É escape, como dizem,
nem tudo é como parece,
e o mundo com suas voltas,
e volto à realidade.

De certo, é menos que antes,
pois acordo sóbreo nestes dias
e o amargo sabor do nada

nada não, é que penso,
oh! porquê sabes que na vida,
nada se escolhe,
nada se colhe,
senão ilusão.

e o nada sempre nos cerca,
como uma cerca aos bois,
como se fosse tudo que existe

amálgama ilusão do tudo e o nada!
como queria que os dias fossem outros,
como se suplantasse os meus planos,
acidentado, o que era plano,

Que tal passar em panos limpos?
quem sabe, quem sabe?
se quando penso em nós dois,
de fato estou tão só.

me fogem de mim, os amigos,
o sono , a alegria,
não digo assim, sozinho,
pois a tristeza, velha amiga,
volta a me fazer companhia

após o ritual, soluços, melancolia,
sem ter onde ficar, ou até mesmo onde ir,
viro-me a cabeça, encolhido, respiro fundo,
melhor voltar a dormir

Marcelo Aires Caetano
31 de Julho de 2011

Published in: on 31 \31UTC julho \31UTC 2011 at 11:21 am  Deixe um comentário  

O caminhar

O Caminhar

falso medo,
cheque os fatos,
pois de boatos,
viver, não dá.

lembre sempre
que o que é certo
volta logo, a divagar.

mude os mundos,
os segundos
nunca vão andar pra trás.

faz-se o dia
em que as mentiras
perderão o seu lugar.

penso muito,
admito,
nego,
e logo volto a pensar.

mudo até
o que era certo,
de aquiles, o calcanhar.

reconstruo
o alicerce
logo ao ve-lo desabar.

checo email,
no receio
de um click
transformar.

esta farsa
que é a vida
despedida?
vamos lá!

a corrida,
ouço alarme,
saio logo a trabalhar

recomeço
o esquecido,
esperança em seu lugar.

remoído,
abalado,
com todo o recomeçar.

as feridas
mais profundas
logo voltam a se curar.

p’ras feridas
que hão de vir,
já tomarem seu lugar.

é a vida,
fico sóbreo
contemplando o caminhar.

Marcelo Aires Caetano Fev 17 2010

Published in: on 17 \17UTC fevereiro \17UTC 2011 at 1:06 am  Comments (5)  

Entrelinhas

Caminhos que se cruzam
em cruz e e xis
mais mais mas nem sempre,
é assim que percebi…

E quando percebi,
já estava aqui,
feito um feto,
infesto em vida,

Como num manifesto
onde colocamos todos os ítens
acabei notando que…
como é bom… como é bom…

Quando se completa o que já não era
Meio cheio,
Meio vazio,
vadio, de tanto a dar

E em dor, mas desta vez uma boa,
quando se tem a quem olhar,
e num olhar quando logo se desperta
o som do sentir.

quanto tempo faz?
e se fosse possível mudar,
voltar a ver?

É assim que me vejo,
eu e você,
como um caminho que se trilha

quer ver?
hoje até entendo,
deixa estar

pois assim a vida segue
seus dias a galopar,
em carne e sangue,
suor, labor, chorar

mas nas entrelinhas,
cá entre nós,
foi muito bom te encontrar.

Marcelo Aires Caetano – 07 Fev 2010

Published in: on 7 \07UTC fevereiro \07UTC 2011 at 3:15 am  Deixe um comentário  

Completo

Olha mãe, como o dia desce
parece até que não é tão simples como antes.
de agora em diante,
só com o pé, o pé e só.

Olha mãe, o rumo que a vida toma,
nem antigamente imaginava como ia parar
mas parece que agora posso ir.

Já sou homem feito,
nem me pareço mais aos treze,
mas ainda me perco ao andar de trem.

queria que estivesses aqui para ver isto,
parece um fio de cabelo branco,
a vida se formou e andou por si só.

nesses emaranhados de caminhos que a vida segue
parece até um trem,
quem foi, quem vai,
quem fica e vem.

Na janela do apartamento,
vejo o trânsito da 23.
parece até bobagem,
mas me senti tão só.

Não é como me via aos 30.
é meio difícil de explicar
apesar dos pingos nos is,
sinto falta de algo maior

É, mãe, família pesa um pouco.
mas estamos aqui, não vamos faltar
mas acho que na vida de um homem
existe uma coisa que só o amor pode dar.

E vagando pelas vielas às vezes percebo
o fio da vida a saltar, como um circuito,
convexo, complexo. Ahhhhh!

Olhando de fora parece tão complicado,
mas tão simples por dentro,
queria que você estivesse aqui.
mesmo longe, ou mesmo perto

Tudo junto, nesses dias,
é o que penso que me faria completo.


Marcelo Aires Caetano 23 Set 2010
Published in: on 3 \03UTC outubro \03UTC 2010 at 2:23 pm  Deixe um comentário  

Oração do siganet

siga nosso que estás nos servers,
criptografado seja o vosso nome
venha nos a vossa RPC
seja feita o vosso multicast
assim nos thin quanto nos servers
o stream nosso de cada vídeo, nos dai hoje
perdoai os nossos bugs,
assim como nós perdoamos as confs incompreendidas
não nos deixeis cair a conexão
mas livrai-nos dos malware,
amém

Published in: on 29 \29UTC maio \29UTC 2009 at 1:36 pm  Comments (4)  

Como quem quer amor

Fecho as portas e me tranco num quarto escuro
olho os outros e vejo pessoas cinzas
mas quando me lembro desse seu sorriso puro
eu me sinto como não me senti ainda

escrevo sobre tudo que sinto
e hoje eu admito
que penso que eu minto
quando digo que isso é normal

apanho os cacos que existo
e faço um labirinto
remonto aquele dia
onde você era minha

Corro e abro os braços largos pro futuro
E acredito que os dias serão belos
Entendo que o passado cobra o montante em juros
Mas te ver aqui por hoje foi um momento eterno

e vejo que o que sinto é muito,
estranho e impuro,
pois eu não compreendo
mas quero-te mais, como quem quer amor

Marcelo Aires Caetano

25 de Maio de 2009

Published in: on 25 \25UTC maio \25UTC 2009 at 11:44 pm  Comments (3)  

A Hóspede

— Ainda lendo este jornal? desista, cara, você não vai conseguir um emprego!
— Que isso, Ana? Nem você acredita mais em mim?
— Não é isso, meu amor, é que você está fazendo tudo errado! Assaltante não encontra emprego em jornal, por que você não vai à favela? Talvez você consiga um parceiro.
— Parceiro? Mas eu não sou gay! Tá, eu já tive minhas experiências, mas isso não quer dizer que eu seja gay, quer?
— Bem, aí não sei, eu também não sou psicóloga, mas Amor, você deveria mudar de profissão, dizem que malabares no semáforo dá um bom dinheiro, além de ser um emprego seguro.
— Seguro?!?
— Sim, e obrigatório, ainda por cima. Suponhamos que você seja atropelado por um carro, você ganha uma boa nota, sabia?
— Olha, Ana, agora que eu não to mais entendendo nada, viu? Você quer que eu faça malabares ou que eu toque flauta harmônica?
— Bem, deixa pra lá, acho melhor voltar ao que eu estava fazendo…
— O quê você estava fazendo?
— Sabe que eu não lembro? Tinha alguma coisa a ver com te ver lendo o jornal, e ficar reclamando…
— Interessante, eu posso fazer também?
— Hmmmm, acho que pode…
Alguns minutos depois…
— Ana, eu acho que tem algo errado nisso tudo..
— Eu também acho, não dá pra te ver ler o jornal e ficar reclamando se você não está lendo o jornal.
— Bem, mas veja pelo lado bom, estamos ambos reclamando…
— É, isso é bem verdade, a gente podia revesar também, né? Eu leio o jornal e você reclama e vice-versa.
— Ahh não! eu prefiro muito mais reclamar junto com você, lembra quando reclamamos pela primeira vez?
— É, lembro sim, estávamos reclamando que além da condução alternativa demorar muito a passar, a gente ainda tinha que pagar passagem, é o cúmulo, não acha?
— É, com o tanto de imposto que pagam nesse país, a gente teria que ter tudo de graça, não só a bolsa família que o governo federal nos dá.
— Amor, eu acho que você reclama muito!
— Ana, você só vive reclamando das minhas reclamações ultimamente, o que está havendo de errado? Você encontrou outra pessoa, não foi?
— Olha, pra falar a verdade sim, mas não sei se o nome dela era “outra”, acho que tava mais para Alguém.
— Ohh! E como você sabe que o nome dele ou dela era alguém?
— Bem, você sabe quando você tem a sensação de que tem alguém te seguindo?
— Imagino…
— Pois é, é bastante esquisito mesmo.
— Ana, Alguém estava te seguindo?
— Nãããooooooooooo, Alguém jamais faria isso…
— Então por quê tocou no assunto de alguém seguir e essas coisas?
— Sabe que eu não sei? É que todo mundo fala isso, eu sempre tive vontade de falar também pra saber como é ficar falando mal da vida alheia, mas como nunca tive oportunidade… Bem, achei que seria conveniente tocar no assunto.
— E esse assunto? posso saber quantos anos ele tem?
— Bem, hoje eu não sei, na época em que eu trabalhava na casa da mãe dele, ele era bem novinho, coisa de 19 anos.
— E hoje?
— Hoje? você quer sair? Que bom, eu tava mesmo precisando comprar umas roupas novas.
— Perfeito, chame o motorista!
— Amor… Não temos motorista…
— Então ferrou, eu não sei dirigir..
— Relaxa, Alguém deve saber..
— Amor, quando é que a Loucura vai embora, hein?
— Sabe que eu não sei? Ela é muito folgada! Já chegou dizendo que ia ficar, trouxe as malas, parece que veio fazer tratamento pra pele…
— Tia doida, essa a sua, não?
— é.

Published in: on 22 \22UTC maio \22UTC 2009 at 8:49 am  Comments (3)  
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Morena

Olhe para mim,
estou no corredor
correndo contra o tempo,
em busca de nós dois.

Depois de tudo,
contudo, ainda me faço
em metade, os teus pedaços
que amanhã eu planejei

Morena, o dia vem.
Vem Morena, como ninguém,
vê e olha, como é bonito o que se tem

Temo pelos dias,
mas temos muitos dias,
os dias que se veem

Pelo andar da carruagem,
me parece que é tarde,
o por-do-sol a anunciar
outro dia que cessou

eu tive medo em seu olhar,
palavras roucas pra dizer
que nem mesmo o amanhecer
de ti me afastou

Os acordes que hoje faço,
faço de acordo com o que sinto
poderia lhe presentear com um lá
ou uma música tocar

tenho tanto a lhe dizer…

Published in: on 20 \20UTC maio \20UTC 2009 at 4:40 pm  Comments (6)  

Linha 376

Linha 376

Olha a cocada, vai levar?
são 3 reais a passagem,
melhor esperar a catraca liberar…

o carlos tá diferente,
sempre diz não ter mais tempo…
aí o feijão cresceu e virou uma feijoada
engraçado né?

dá uma carona em duas paradas?…
já eu me aposentei e visito os parentes…
pode falar, por quê tarda?
liguei pela saudade

e o fim de semana?
algo em mente?
talvez a gente…

MOTORISTA, pare o ônibus,
eu quero descer.

eles falavam, falavam
paravam, eu acho que mudavam
sem perceber eu tava escreven…

moço, acorde,
você capotou, total
pegue sua bolsa,
já chegamos ao ponto final

Marcelo Aires Caetano
08 de maio de 2009

Published in: on 8 \08UTC maio \08UTC 2009 at 10:13 pm  Comments (4)